DANÇA INVISÍVEL

CICLO DE DANÇA CONTEMPORÂNEA
Palácio do Sobralinho
17 a 25 Setembro 2022
Taranta, de Bruna Carvalho

Sab 17 Set 21:30
Taranta1º Andamento
Torta, Lenta, Partida, Suspensa

de Bruna Carvalho (Portugal)

VADO: solo sobre as coisas vazias, de Beatriz Valentim

Dom 18 Set 18:00
VADO: solo sobre as coisas vazias

de Beatriz Valentim e Pedro Souza (Portugal)

Vaca, de Anna Chirescu

Sab 24 Set 21:30
Vaca

de Anna Chirescu (França)

Plants Dictionary, de Małgorzata Suś

Dom 25 Set 18:00
Plants Dictionary

de Małgorzata Sus (Polónia)

O ciclo Dança Invisível pretende criar um novo espaço de possibilidades para a dança contemporânea, apostando no cruzamento de linguagens artísticas e na promoção do trabalho de coreógrafos emergentes, com criações de carácter experimental e inovador. 

Em cada edição é convidado um artista consagrado, de forma a potenciar o diálogo artístico entre o que é visível, em termos do circuito artístico nacional e internacional, e o que ainda permanece “invisível” para o grande público, decorrente da sua natureza embrionária. 

O ciclo surge também intimamente ligado ao programa de apoio à criação “Artistas no Palácio – Programa de Residências Artísticas” que a Inestética tem vindo a promover no Palácio do Sobralinho. 


Programação Alexandre Lyra Leite
Produção Executiva e Design gráfico Rita Leite
Direcção técnica Fernando Tavares
Assistência técnica Inês Maia
Registo e Edição vídeo Vítor Hugo Costa
Apoio à Produção Susana Serralha
Produção Inestética – Associação Cultural de Novas Ideias
Estrutura financiada por República Portuguesa – Cultura / DGArtes, Câmara Municipal de Vila Franca de Xira
Apoio Temporada Portugal-França 2022, União de Freguesias de Alverca do Ribatejo e Sobralinho, Imarte, Arte Franca, Metafilmes

* O espectáculo VACA, de Anna Chirescu (Palácio do Sobralinho, 24 Set 2022 – 21:30) é apresentado no âmbito da Temporada Portugal-França 2022

Programa 2022 ↓

Taranta - 1º Andamento, de Bruna Carvalho

Taranta + Torta, Lenta, Partida, Suspensa
de Bruna Carvalho (Portugal)
17 Set 21:30

Taranta – 1º andamento

“Taranta é uma performance – exposição que surge a partir de textos que escrevo desde 1993 e que resgato para a criação de movimento. 

O título remete para o ponto central desta criação, onde exponho e represento o que escrevo enquanto manifestações de explosões internas, de momentos atrapalhados que não se chegam a resolver, relâmpagos de palavras que pedem para sair mesmo que de forma tosca, que estão sempre a surgir e sempre presentes no que faço.

Esta prática de escrita, que acompanha desde sempre o meu trabalho performativo, tem ocupando um lugar de complemento às minhas pesquisas. Em Taranta, desafiei-me a retirar estes textos da sombra e a usá-los como o centro do trabalho. Um trabalho que não se resolve aqui, que não é para resolver, ao qual nem sequer gosto de chamar trabalho, mas de Taranta.”

Criação, Interpretação e Textos Bruna Carvalho
Desenho de Luz e Direção Técnica Zeca Iglésias
Música Bruna Carvalho
Produção Bruna Carvalho
Imagens Bruna Carvalho, Zeca Iglésias, Eduardo Hall, Carolina Martins
Vídeo Fernando Figueiredo, João Martinho, Eduardo Hall
Apoios Livraria Ler Devagar, Forum Dança, Galeria Geraldes da Silva, Inestética Companhia Teatral, Câmara Municipal de Vila Franca de Xira

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Torta, Lenta, Partida, Suspensa

“Da batida sem tempo vou partir, para uma coisa que se desmanche. Sem pensar. Quando soar a pancada torta, saio desfeita, pelos sentidos tomados pelo ruído. Não me quero equilibrar muito. Deixarei a pele vibrar pelo momento. E os batimentos sem compasso tomar conta do andamento. O corpo sem matéria pelo espaço, em desembaraço da forma.
Do momento suspenso ficam coisas lentamente esquecidas, que deixam nos ouvidos os barulhos que os olhos viram acontecer. 
E estremecendo de pausa em pausa tocam-se mundos, onde passeio sem caminhos para fazer.” 

Criação e Interpretação Bruna Carvalho
Música Bruna Carvalho
Desenho de Luz e Direção Técnica Zeca Iglésias
Produção Bruna Carvalho 
Imagens Bruna Carvalho
Vídeo Carolina Martins
Apoios Damas – Bar e Sala de Concertos, Inestética Companhia Teatral, Câmara Municipal de Vila Franca de Xira

Duração: 35 min

Bruna Carvalho, 1983, Viana do Castelo, Portugal.
Estudou música/bateria na Escola de Jazz Luiz Villas-Boas – Hot Club de Portugal. Fez aulas de dança, workshops de representação, banda desenhada, desenho de som e dobragem. Frequentou o Programa Avançado de Criação em Artes Performativas, PACAP1, desenvolvido pelo Fórum Dança e a formação em produção promovida pelo Polo Cultural das Gaivotas – Boavista e Alkantara.
Trabalhou como intérprete e música com Tânia Carvalho, Luís Guerra e Flávio Rodrigues. Fez parte do projeto musical Moliquentos e é autora e co-autora de bandas sonoras de performances.
Faz trabalhos de cartoon, banda desenhada, poesia, fotografia e vídeo. Co-criou o filme Cigarettes com Manuel Guerra e participou no livro B.D. Bordalo do Museu Bordalo Pinheiro.
Criou as performances Mais Vale Um a Voar, Idiosyncrasy e E.le.men.to.
É colaboradora da Andaime Cooperativa Cultural – Arte, Educação, Ambiente, e dá aulas de percussão, bateria, ritmo, dança e movimento.
https://brunasmcarvalho.wixsite.com/brunacarvalho

VADO: solo sobre as coisas vazias, de Beatriz Valentim

Vado: solo sobre as coisas vazias
de Beatriz Valentim e Pedro Souza (Portugal)
18 Set 18:00

A minha mãe diz que eu falava sozinha. A dele não.

A ideia de uma performance-concerto sobre as coisas vazias parte do medo da solidão, da fraqueza e da sua monotonia, onde são explorados movimentos e sons sem rosto e sem identidade. A pesquisa baseia-se nos corpos fotografados, corpos com frio, corpos sem cara, corpos sozinhos e num afastamento constante das relações sociais.

A repetição e o limite são bases constante neste trabalho, onde o corpo é influenciado pelo constrangimento do espaço vazio, do espaço sonoro. Tudo se constrói com base nos cursos de pensamento, na simplicidade do estar e nas descobertas do movimento vazio.

Concepção e Interpretação Beatriz Valentim e Pedro Souza
Coreografia Beatriz Valentim
Composição musical Pedro Souza
Desenho de Luz João Abreu
Operação de Som Martinho Cardoso
Figurino Beatriz Valentim e Catarina Casais
Agradecimentos Cine-Teatro Garrett, Francisco Camacho, Joana Von Mayer Trindade, Mafalda Deville, EIRA (no âmbito do Projeto de Estudo em Dança)
Residências Artísticas Companhia Instável; EVC – Estúdios Vítor Cordon/Companhia Nacional de Bailado ao abrigo do projeto “Residências Artísticas”

Duração: 40 min | Foto © Diana Nobre

Beatriz Valentim
Formada pela Escola de Dança do Conservatório Nacional, tendo completado a sua formação com o Elit Trainning Program da companhia Budapest Dance Theatre e o F.O.R. Dance Theatre da Companhia Olga Roriz. É licenciada em sociologia pelo ISCTE-IUL, Lisboa, e concluiu a Pós-Graduação em Dança Contemporânea da ESMAE, Porto, terminando como bolseira para o Camping 2020 do Centre National de la Danse, Paris. Trabalhou com vários coreógrafos e artistas como Olga Roriz, Renato Zanella, Jérôme Bel, Raimund Hoghe, Mafalda Deville, Elisabeth Lambeck, Olatz de Andrés, Inês Jacques e Mão Morta, São Castro e António Cabrita, Sílvia Real e Francisco Camacho, Né Barros e Jonas&Lander.
A sua primeira criação em nome próprio, em conjunto com Pedro Souza, “VADO: solo sobre as coisas vazias”, estreou na XX Bienal Internacional de Arte de Cerveira, em 2018, seguindo-se o solo “NINA”, sobre a artista pop e punk Nina Hagen. Em 2021, criou “Self”, um dueto sobre o conceito de dualidade, apresentado no Festival Interferências e no Corpo + Cidade / DDD Out. 
Colabora como professora e formadora de dança contemporânea com várias escolas e companhias do país, como Balleteatro, Pallco Performing Arts School, Estúdios Vítor Córdon, F.O.R. Dance Theater Companhia Olga Roriz, entre outros.
https://beatrizvalentim.pt


Pedro Souza
Natural da Póvoa de Varzim, começou a tocar guitarra como auto-didata, tendo iniciado os seus estudos musicais em 1997 e concluído o 6º grau de Guitarra Clássica. Posteriormente, frequentou o curso livre na Escola de Jazz do Porto, continuando os estudos, em regime particular, com Pedro Cardoso (Peixe). Integrou, em paralelo, diversos projetos musicais, com incidência na área do Rock, tendo editado 2 EPs, em 2007 e 2013, e participado no concurso de vídeos musicais do Festival Curtas de Vila de Conde, em 2014, com a banda OPEN. Em 2010, concluiu o mestrado em Ciências Farmacêuticas pelo IUCS – Instituto Universitário de Ciências da Saúde, em Paredes. Atualmente, integra/colabora com projetos como Laudo, Indignu [lat.], Carbon, OGBE (Orquestra de Guitarras e Baixos Elétricos). Como músico e compositor, tem vindo a colaborar com a Companhia de Teatro Público Reservado, sob a direção de Renata Portas, com o Teatro da Didascália e com a bailarina Beatriz Valentim. Programa anualmente o Festival “Três a Solo”, no Cine-Teatro Garrett, na Póvoa de Varzim. Em 2016, criou a MEMO, uma produtora e agência com a finalidade de produzir e promover espetáculos e impulsionar artistas portugueses emergentes.

Vaca, de Anna Chirescu

Vaca
de Anna Chirescu (França)
24 Set 21:30

Vaca é um dueto coreográfico que toma como objecto e pretexto a figura da vaca. Fábula ecológica tanto documental como ficcional, Vaca sonda os paradoxos da figura da vaca, contemporaneamente bucólica e ancestral, ruminante e trivial. Como paisagem dançada e mental, a peça introduz a questão do ser vivo reduzido ao estado de matéria e descobre uma dialéctica de temporalidades: a do animal, orgânica, vivida, não espectacular, e a do homem, organizada, mecanizada, encenada. 

© Gwenaelle Pledran

Vaca apoia-se sobre o animal milenar, emblema do domínio do homem sobre o ser vivo, venerado num lado, abatido no outro, para se investir num estudo mais abrangente da relação do homem com a natureza. Tal etologia dançada da vaca que resulta no retrato de um ser, de uma temporalidade, de uma sensação, o dueto propõe um olhar tanto discursivo como sensível. As bailarinas vivem, revelam e atravessam estados de corpo caracterizados pela lentidão, apatia, e ecos de movimento por um lado e evoluem em direção à mecanização e ao ritmo regular e rigoroso. A sucessão de cenas, entre as quais se conta uma line-dance inspirada do folclore cowboy, induz as intérpretes numa conivência implícita – à semelhança de duas vacas num campo. Atravessadas por estas figuras as bailarinas constroem um paralelo entre o corpo da mulher estandardizado e o corpo da vaca.

Concepção e Coreografia Anna Chirescu
Interpretação Anna Chirescu e Catarina Pernão
Dramaturgia Grégoire Schaller 
Composição musical Yoan Chirescu
Desenho de luz Fanny Lacour
Figuração e Assistência Carlo Schiavo
Figurinos Cathy Garnier
Consultor artístico Gwenaelle Pledran
Vídeo Gwenaëlle Pledran
Produção executiva Camille Cabanes
Produção Compagnie Anna & Grégoire

Duração: 45 min

© Gwenaelle Pledran

Espectáculo apresentado no âmbito da Temporada Portugal-França 2022

Anna Chirescu
Graduada em 2005 pelo CNSMD de Paris, Anna Chirescu colaborou como bailarina com vários coreógrafos: Jean Claude Gallotta, Luc Petton, Marie-Laure Agrapart, Marie-Geneviève Massé, Natalie Van Parys, Bill Young, Liam Warren, Christine Bastin, Ashley Chen e Daniel Larrieu. Entre 2013 e 2020 integra o CNDC de Angers, na companhia dirigida por Robert Swinston, com quem dança o repertório de Merce Cunningham em França e no estrangeiro. Anna desenvolve também atividades pedagógicas e de transmissão em torno da obra do coreógrafo. Em 2017 funda uma colaboração com o artista visual Grégoire Schaller com quem assina peças coreográficas (Les Indolents, 2017, Dirty Dancers 2018, Ordeal by water 2021). Em 2022 escreve o dueto Vaca para duas bailarinas. Anna colabora regularmente com artistas de outras disciplinas, artes visuais e música e, paralelamente, conclui um mestrado em literatura moderna e ciência política.
www.annachirescu.com

Catarina Pernão
Natural de Lisboa, Catarina segue a formação profissional da Escola de Dança do Conservatório Nacional. Ela integra de seguida a Cinevox Júnior Company (Suíça) e mais tarde obtém uma licença em Dança Contemporânea com menção honrosa do Trinity Laban Conservatoire of Music and Dance (UK). De 2015 a 2020 dança com a companhia do CNDC de Angers, dirigida por Robert Swinston (França). Posteriormente e ainda em França, inicia colaborações com a coreógrafa Anna Chirescu, com a companhia /Trans/, dirigida por Laurence Marthouret, e com a companhia Beauchamps, dirigida por Bruno Bene. Ao longo do seu percurso, Catarina trabalha com coreógrafos como Jackeline Beck, Franz Broadman, Lizzi Kew Ross, Valerie Preston-Dunlop, Dam Van Huynh e Olaf Schmidt e interpreta obras de Wayne McGregor e Merce Cunningham. Apaixonada pela pedagogia e pela ciência da dança, ela obtém o Diploma de Professor de Dança do Estado Francês (CND), o Diploma Universitário em Dança, Saúde e Envelhecimento (Université Côte d’Azur) e o Certificado de Prática de Dança Saudável (SiDI). Catarina é membro da Associação Internacional de Medicina e Ciência da Dança (IADMS).

Plants Dictionary, de Małgorzata Suś

Plants Dictionary
de Małgorzata Suś (Polónia)
25 Set 18:00

No espectáculo “Plants Dictionary” a artista junta no palco várias espécies de plantas diferentes e relaciona-se com elas como seres sencientes. O movimento e a percepção das plantas tornam-se inspiração para a coreografia e a motivação para descobrir como a nossa sensibilidade humana pode ser desafiada pela sensibilidade das plantas.
A investigação sobre os modos de funcionamento das plantas no mundo, a comunicação delas, crescimento e movimento (mesmo que pareçam imóveis) foi a base para a exploração física. A criadora encontrou e pesquisou várias qualidades de movimento e construiu frases que mais tarde se tornaram parte da coreografia.

Conceito, coreografia e performance 
Małgorzata Suś
Apoio da criação 
fAUNA | habitat de criação – Teatro da Didascália 
Desenho de luz/ Assistente da criação 
Pablo Koury

Duração: 30 min

Małgorzata Suś (nasceu em 1991, Polónia) é uma artista de dança e performance baseada em Portugal. O trabalho dela tem caráter poético e visual, inspira-se na natureza e centra-se nas questões ambientais, especialmente relacionadas com a água. Małgorzata é co-criadora dos projetos multidisciplinares The Memory Of Water (www.thememoryofwater.org) e Watering Words. Małgorzata licenciou-se na Academia Nacional de Artes Dramáticas de Varsóvia, Polónia e na formação prossional em dança Performact em Torres Vedras, Portugal.
www.malgosiasus.com

DANÇA INVISÍVEL
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2021

Ana Jezabel
Sofia Dias & Vítor Roriz
Maria Antunes
Rita Gaspar
Sofia Silva

2019

Renann Fontoura
Rafael Alvarez
ASTA / Miguel Pereira
Bruna Carvalho

2018

Joana Castro
Alice Joana Gonçalves
Paula Pinto / António de Sousa Dias
Carolina Van Eps / Francesca Saraullo

DANÇA INVISÍVEL
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